É muito fácil gostar de Buenos Aires, a cidade está aberta a todos.

Brasileiros são muito mais do que bem recebido por lá, e todos os boatos que se tem da arrogância platina não são verdadeiros. É claro que indivíduos de narizes empinados existirão em qualquer lugar do mundo, mas não faz parte da natureza argentina ser arrogante. Talvez essa fama seja uma confusão com uma obsessão fálica bem engraçada que existe por lá. Os argentinos querem que seus edifícios e monumentos sejam os maiores e melhores em tudo, mas isto é natural a qualquer povo, e é também em parte reflexo do retraimento que sofreram devido ao desgaste económico ocorrido principalmente após a segunda metade do século XX. Quando se está diminuído você quer mostrar as suas melhores qualidades. Um tentativa de tomar a liderança do bando de novo. Além de ser um óptima manobra do estado, mas quero esquecer as politiquices.
Tenho a impressão que hoje existe na Argentina um sabor lusitano, talvez devido à perda do ápice como em Portugal, a ex-potência marítima. Esta melancolia parece estar em tudo. Buenos Aires fica uma capital um pouco nostálgica, com seus bairros parisienses e tango triste. Mas ao contrário dos portugueses o povo ainda não se entregou, vai às ruas cantar músicas e fazer confusão.
O calor ainda existe lá, e espero que não se apague.
Buenos Aires faz sonhar em ter uma América do Sul unida, não na economia que isso é consequência, mas no olhar.
Uma pena que eles não saibam jogar futebol.